Métodos de Interpretação da Audiometria

Métodos de interpretação da audiometria disponíveis no Medicina:

Portaria 19

Tipos de alterações dos Limites Auditivos

VA - Valor da via aérea
VO - Valor da via óssea

Condutiva: VA > 25dB e VO <= 25dB e o GAP entre a via Aérea e Óssea deve ser > 10dB.

Neurossensorial:VA e VO > 25dB e o GAP entre a via Aérea e Óssea deve ser de até 10dB.

Mista: VA > 25 dB e (VO > 25 ou VO < 25)

Exame de Referência

  1. Avalia-se os níveis de audição da via aérea nas frequências 0,5, 1, 2, 3, 4, 6 e 8 KHz.
  2. Se os dados das frequências obtidas forem menores ou iguais a 25 dB, o exame é interpretado conforme item 4.1.1 da NR 7 - DENTRO DOS LIMITES ACEITÁVEIS
    OBS: Neste momento os dados da avaliação da via óssea não devem ser considerados, mesmo quando informados.
  3. Caso contrário avalia os níveis de audição da via óssea nas frequências 0,5, 1, 2, 3 e 4 KHz.
  4. Se o nível da frequência 3 e/ou 4 e/ou 6 for maior que 25 dB, se for neurossensorial* e se o nível for maior que todas as outras frequências (0,5, 1, 2 e 8), interpreta segundo item 4.1.2 da NR 7 - SUGESTIVO DE PAINPSE.
  5. Caso a interpretação não se enquadre em nenhuma dos itens anteriores (4.1.1 e 4.1.2), interpreta como item 4.1.3 da NR 7 - NÃO SUGESTIVO DE PAINPSE.

* Para uma avaliação ser neurossensorial, deve-se avaliar as frequências 3 e 4 em conjunto, mas se a frequência estiver com a via óssea menor ou igual a 25 dB, ela deve ser desconsiderada.

Exame Sequencial

  1. Avalia-se os níveis de audição da via aérea nas frequências 0,5, 1, 2, 3, 4, 6 e 8 KHz.
  2. Se os dados das frequências obtidas via aérea forem menores ou iguais a 25 dB, interpreta:
    2.1. Se as frequências via aérea do exame de referência forem <= 25 dB e obedecer aos critérios do item 4.2.1 da NR 7, o exame é interpretado conforme item 4.2.1 da NR 7 - SUGESTIVO DE DESENCADEAMENTO DE PAINPSE.
    2.2. Caso contrário, interpreta como 4.1.1 - DENTRO DOS LIMITES ACEITÁVEIS.
  3. Se alguma frequência via aérea for maior que 25 dB, avalia a via óssea.
  4. Verifica-se se é neurossensorial.

4.1 Se não for neurossensorial, interpreta como item 4.1.3 da NR 7 - NÃO SUGESTIVO DE PAINPSE.

4.2 Se for neurossensorial:

4.2.1. Se os níveis do exame de Referência forem <= 25 dB e os critérios do item 4.2.2 da NR 7 forem atendidos, interpreta conforme item 4.2.2 da NR-7 - SUGESTIVO DE DESENCADEAMENTO DE PAINPSE.

4.2.2. Se o exame de referência for SUGESTIVO DE PAINPSE e os critérios do item 4.2.3 da NR 7 forem atendidos, interpreta como item 4.2.3 da NR 7 - SUGESTIVO DE AGRAVAMENTO DE PAINPSE.

4.2.3. Caso nenhum dos dois itens acima forem atendidos, caracteriza como SUGESTIVO DE PAINPSE.

Observações
  • O item 4.2.3a da NR 7 está com o valor do critério errado. O correto é 10 dB.
  • Quando não for feita a via óssea, a interpretação não considerará o item 2.1 da NR 7.
  • Quando o exame sequencial for interpretado como 4.2.1, 4.2.2 ou 4.2.3, deve ser agendado outro exame e este será o exame de Referência.
  • O sistema interpreta o tipo de perda como condutiva quando, por exemplo, na frequência de 4000, a VA está alterada e a VO está dentro da normalidade. O sistema considera que para ser neurossensorial, tanto a VA quanto a VO devem estar alteradas e o GAP deve ser menor que 10 dB.
  • O sistema interpreta o tipo de perda como mista quando, por exemplo, a frequência de 3000 caracteriza uma perda condutiva e a frequência de 4000 caracteriza uma perda neurossensorial. A frequência de 3000 é caracterizada como condutiva pois a VA está alterada e a VO está dentro da normalidade. A frequência de 4000 é caracterizada como neurossensorial pois tanto a VA quanto a VO estão alteradas e porque o GAP é menor ou igual a 10 dB.
Importante

Para caracterizar o tipo de perda o sistema analisa cada frequência testada e desta forma ele somente irá caracterizar o tipo de perda neurossensorial quando todas as frequências testadas forem neurossensoriais. O mesmo acontece para a caracterização do tipo de perda condutiva. Caso uma frequência for neurossensorial e outra for mista ou condutiva, por exemplo, a perda será caracterizada como mista.

Perda Neurossensorial = VA > 25 e VO > 25 e GAP <= 10
Perda Condutiva = VA > 25 e VO <=25
Perda Mista = quando há um componente neurossensorial e outro condutivo.

Bibliografia desta interpretação: Prática de Audiologia Clínica - Momensohn-Santos e Russo.

Resumo da Portaria 19:
SEQUENCIAL

NORMAL

NR 7 - 4.1.1

Todas as frequências são <=25 dB

SUGESTIVO DE DESENCADEAMENTO

NR 7 - 4.2.1

  • Referência e Sequenciais <= 25 dB;
  • Sequencial também é normal;
  • Referência X Sequencial com evolução (NR-7 - 2.1);
  • Média 3000, 4000 e 6000 Hz >= 10 dB;
  • Piora em 1 ou + freq. 3000 e/ou 4000 e/ou 6000 Hz >= 15 dB.

SUGESTIVO DE PAINPSE

NR 7 - 4.1.2

3000 e/ou 4000 e/ou 6000 Hz acima de 25 dB e mais elevados que as demais frequências, estando estas normais ou não.

NÃO SUGESTIVO DE PAINPSE

NR 7 - 4.1.3

Todos os casos que não se enquadram nas descrições acima.

SUGESTIVO DE DESENCADEAMENTO

NR 7 - 4.2.2

  • Referência <=25 dB;
  • Sequencial está alterado (NR-7 - 2.1);
  • Média 3000, 4000 e 6000 Hz >= 10 dB;
  • Piora em 1 ou + freq. 3000 e/ou 4000 e/ou 6000 Hz >= 15 dB.
REFERÊNCIA PERMANECE ATÉ QUE:

SUGESTIVO DE AGRAVAMENTO

NR 7 - 4.2.3

  • Referência é compatível com PAIR (NR-7 - 4.1.2);
  • Sequencial tem critério de piora;
  • Média de 500, 1000 e 2000 e/ou média de 3000, 4000 e 6000 Hz >= 10 dB;
  • Ou isolada >= 15 dB;
  • Perda tem que ter característica ocupacional.

NR 7 - 4.2.4

Ocorrendo agravamento ou desencadeamento mesmo dentro da normalidade este passa a ser o de referência e os exames anteriores passam a ser o histórico evolutivo.

Conforme Portaria 19 de 09/04/1998 publicada no Diário Oficial da União em 22/04/1998 alternado o quadro 2 da NR 7.

Clínico
GRAUMédia aritmética em
500,1.000 e 2.000
AUDIÇÃOCONDUTA
0

<= 25 dB

NORMAL

Medidas

1

> 25 dB e <= 40 dB

Perda Leve

Preventivas

2

> 40 dB e <= 55 dB

Perda Moderada Encaminhar para perícia
3

> 55 dB e <=70 dB

Perda Severa/Moderada

Encaminhar para perícia

4

>70 e <=90

Perda SeveraEncaminhar para perícia
5

>90 dB

Perda ProfundaEncaminhar para perícia

Ausência de resposta em todas freq.

Anacusia

Bibliografia: A Prática da Audiologia Clínica -Ieda C. Pacheco Russo, Teresa M. Momensohn-Santos.

Pereira

Este método define a PAIR através de uma gota acústica referindo-se ao aspecto das perdas auditivas em 4.000 Hz e 6.000 Hz. Avalia somente a VA.

GRAUMédia aritmética em
500,1.000,2.000Hz

3.000Hz

Média aritmética em
4.000, 6.000Hz
AUDIÇÃOCONDUTA
0

<= 25 dB

<= 25 dB

<= 25 dB

NORMAL

Medidas

I

<= 25 dB

<= 25 dB

>25 dB

Gota acústica

Preventivas

II

<= 25 dB

>25 dB

>25 dB

Prejuízo clínico

CAT

III

>25 dB

>25 dB

>25 dB

Surdez profunda (profissional)

Readaptação

IV

26 a 45 dB

Redução em grau mínimo

Indenizável

V

46 a 70 dB

Redução em grau médio

Indenizável

VI

>70 dB

Redução em grau máximo

Indenizável

DANO Diacusia não - ocupacional Tratamento com otologista (especialista em doenças do ouvido)

Fonte: Revista Brasileira de Saúde Ocupacional nº 65 de Janeiro/Fevereiro/Março de 1989, páginas 43 a 47.

INSS

Este método determina a incapacidade total ao trabalho e só beneficia perdas acima de 50 dB. Avalia somente a VA

GRAUMédia aritmética em
500,1.000,2.000,3000Hz
AUDIÇÃOCONDUTA
0

<= 25 dB

NORMAL

Medidas

1

<= 40 dB

Redução em grau mínimo

Preventivas

2

<= 70 dB

Redução em grau médio Encaminhar para perícia
3

<=90 dB

Redução em grau máximo

Encaminhar para perícia

4

>90 dB

Perda de AudiçãoEncaminhar para perícia


Fonte: Decreto 2172/97, Quadro nº 2

Tipo de Perda

PerdaFrequências
500, 1.000, 2.000, 3.000, 4.000 e 6.000Hz
AUDIÇÃO
Condutiva

VA >25 dB e VO = Normal e (VA - VO) > 10 dB e <= 60 dB

Condutiva
Neurossensorial

VA > 25 dB e VO > 25 dB e (VA - VO) <= 10 dB

Neurossensorial
Mista

VA >25 dB e VO = Normal e (VA - VO) > 10 dB e <= 60 dB
e
VA > 25 dB e VO > 25 dB e (VA - VO) <= 10 dB

Mista

Legenda:

VA: Via Aérea
VO: Via Óssea

Observações
  • Se tiver uma VA e uma VO maior que 25 dB (componente neurossensorial) e um GAP de 15 dB (componente condutivo), o resultado é uma MISTA.
  • Exceções: Se a VO apresentar AUSÊNCIA, esta frequência é considerada neurossensorial pura.
  • Se a diferença entre a VA e VO apresentar um GAP de mais de 60 dB, este exame foi realizado de maneira incorreta, e deve-se repeti-lo.
  • Para categorizar o tipo de perda como Condutiva o sistema verificará frequência por frequência(entre 500 e 6000 Hz) e se, pelo menos, uma delas se encaixar na condição descrita na tabela acima, o tipo de perda auditiva será caracterizada como Condutiva.
Silverman
GRAUMédia aritmética em
500,1.000 e 2.000hz
AUDIÇÃOCONDUTA
0

média <= 25 dB

NORMALMedidas
1

média > 25 dB e <= 40 dB

Perda Leve

Preventivas

2

média > 40 dB e <= 70 dB

Perda Moderada Encaminhar para perícia
3

média > 70 dB e <=90 dB

Perda Severa

Encaminhar para perícia

4

média >90 dB

Perda ProfundaEncaminhar para perícia

Fowler

O método Fowler tem a finalidade de avaliar a incapacidade auditiva por frequência e subtrai dos seus valores a perda por idade.

Para cálculo da perda auditiva, nos termos da lei, somam-se os valores da tabela correspondentes à perda auditiva de cada frequência, e o valor final da soma corresponderá à perda auditiva observada, como por exemplo:

Frequência(Hz)Perda Auditiva em dBValores
500100,2
100050,0
2000100,4
4000100,1
0,7% Perda Auditiva

Tabela de Fowler

Perda em dB

Frequência

500Hz1000Hz2000Hz4000Hz
5-0,0--
100,20,30,40,1
150,50,91,30,3
201,12,12,90,9
251,83,64,91,7
…

Em se tratando de perda bilateral, utiliza-se a fórmula proposta pelo “Council on Physical Therapy” da American Medical Association, que se baseia no fato de que existe, em regra, uma relação de 7/8 do ouvido bom para o de mau funcionamento. A fórmula é a seguinte:

Perda bilateral = (( % perda do ouvido melhor * 7) + % perda do ouvido pior) / 8

Assim, se a parte do ouvido melhor for, por exemplo 12,6% e a do ouvido pior for 71,3%, obtêm-se o seguinte resultado:

Perda bilateral = 12,6 x 7 + 71,3 / 8 = 19,9% (perda total)

Os pareceres serão sugeridos conforme as definições abaixo.

Para um único ouvido:
4% - Perda em grau mínimo
8% - Perda em grau médio

Para ambos os ouvidos:
9% - Perda em grau mínimo
18% - Perda em grau médio

Para o cálculo da perda auditiva decorrente de idade cronológica do trabalhador é utilizada a seguinte fórmula:

Nível de Audição = a + b. idade + c(idade)²

Os valores de “b” e “c” são estimados a partir de dados fornecidos por cinco estudos, admitindo-se um processo normal de envelhecimento. Os valores de “a” são calculados com base nos valores de audição aos 25 anos.

GRAUMédia aritmética em
500,1.000,2.000,4000Hz
Audição
Normal

<= 25 dB

NORMAL
Perda em Grau Mínimo

<= 40 dB

Redução em grau mínimo
Perda em Grau Médio

<= 70 dB

Redução em grau médio

Fonte: Portaria nº 12, de 06 de junho de 1983. (http://www.mte.gov.br/legislacao/Portarias/1983/p_19831006_012.pdf)

Este artigo ajudou você?